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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Teus.

Teus beijos não têm gosto de nada
Teus beijos só me pedem outros beijos
Teus beijos são só portas
Teus beijos são só pontes
Te beijo e é como se nunca o tivesse feito
Teus beijos são como brisas
Que me atravessam, mas não ficam
Teus beijos são engenhosos
Nunca se deixam prender
E sempre se querem beijados mais.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Fernanda

A menina de pé no chão
nunca precisará de fiador
Pois, então, não tente comprá-la
com as tuas palmilhas gastas...

A menina de língua de fogo,
encontra água nas pedras,
no mato, no nada,
pois não lhe venha com água mineral

A menina dos olhos rasgados
é míope, enxerga mal
e somente o que lhe apraz
por isso não venha com a busca
pela verdade absoluta
a verdade absoluta de nada lhe vale


Qualquer menina riria-se
dos teus modos estudados
Um livro, para ela, mal alimentaria uma fogueira



E essa menina, essa menina tá é muito certa.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Você e eu

É você quem procura quando eu falo
É você quem anseia quando te abraço
É você quem entristece quando eu calo
... Por você.

Você não sabe do que falo
Nem quer saber!

Já te basta te encontrar
na esquina do que eu pensei dizer

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Listras

Que sorriso é esse que trazes na cara?
Acaso será riso de felicidade?
Ou se ri de mim?
Se ri de nós?


Que sorriso é esse que me desafia?
Que me joga no chão?
Que me chicoteia?


Que sorriso é esse que insiste
em te cortar a face
mesmo quando estás sisuda e distante?


Que sorriso é esse
Que anda a me perseguir
Como se fosse lua
Como se fosse sempre noite


Que sorriso é esse
que me diz
que é melhor não prosseguir?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para amanhã

Vens depois dos mais longos invernos,

E é por isso que as primavera existem...

És bonito porque não aconteces todo dia

Esperas que eu me cale, e que eu me prepare

E que eu esteja pura e só, pra te sentir e prever.

E depois de cores, luzes e cheiros,

De repente tu te faz verão.

E eu que sempre fui só outono

E eu que só soube findar, recluso-me

A mais um inverno, onde rigorasamente...

... vou te esperar.

Então não sei que é da espera que a primavera é feita?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Vivo

Todo dia tu vens e cala minha poesia.
Com tua necessidade de prosa.
Com nosso prazer metalinguístico.
As catarses noturnas.


A exegese da tua despedida
As metáforas todas sobre as quais durmo pra acordar pra você.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Amar-elo

Tenho medo de tocar-te demais,
medo de quebrar-te, medo de cansar-te
Tenho tanto medo de tuas retinas cheias de mim
De tuas mãos enjoadas das minhas


Medo, medo, medo

do colorido das tuas bochechas
da luz infernal de teu corpo
Dessa tua boca ébria a dizer obscenidades

E se a fonte do teu sorriso secar?
E se teus pés desaprenderem o rumo dos meus?
E se um dia, simplesmente, amanheça e tu não esteja?

E se...


Quanto mais tenho medo, mais desejo estar perto de ti.